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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Guardiões da Galáxia



ALERTA DE SPOILER



Recentemente, em entrevista, definido por Robert Downey Jr. (Homem de Ferro) como o melhor filme da Marvel, Guardiões da Galáxia (2014) de fato impressiona, por apresentar anti-heróis como protagonistas. Peter Quill, Groot, Rocket, Gamora e Drax são personagens que se mostram mais "humanos" (já que são extraterretres) e imperfeitos - com direito a bocejar, ajeitar a calça e acordar com a cara amassada - que a maioria dos super-heróis de filmes como Capitão América. Na verdade, uma das cenas mais marcantes do filme ironiza o heroísmo e a bravura excessivos, como uma crítica aos próprios filmes da Marvel.

O filme aposta no humor, da primeira à última cena, como estratégia (muito bem-sucedida) de conquistar o público. Algumas cenas ficarão para a história da Marvel, como a que o pequeno Groot dança ao som de Jackson Five. A trilha sonora, aliás, é mais um ponto alto na produção do longa: é composta de músicas pop americanas que foram lançadas entre a década de 60 e 80, que contribuem para arrancar sorrisos e risadas dos espectadores, quando combinadas a cenas e falas de humor ou fofura.



O elenco se destaca por figuras como Vin Diesel (Velozes e Furiosos) dando voz ao amável Groot e Bradley Cooper (Se Beber, Não Case) como o revoltado guaxinim Rocket Racoon. Chris Pratt faz um bom trabalho como o "herói" Peter Quill, enquanto David Bautista, que interpreta Drax, traz boas piadas, apesar de não chamar muita atenção. Já a Gamora de Zoe Saldana (que está em Avatar, o que mostra sua experiência em trocar de cor) parece um pouco esquisita com a pele verde, e mantém a atuação razoável. O filme também conta com a participação de Michael Rooker (Merle Dixon de The Walking Dead) como Yondu Udonta.

Para quem estava ansioso para ver como seria a versão do vilão Thanos para os cinemas, com certeza não se decepcionou. Algumas pequenas modificações foram feitas, mas continua bem fiel ao quadrinhos. Com apenas poucos minutos de participação, é possível saber que será ele quem tomará a cena de Os Vingadores 3. O visual do vilão Ronan também se manteve bem fiel, com apenas a mudança da cor de sua roupa.

Um dos aspectos mais comentados sobre a produção foi a cena pós-crédito, em que o Pato Howard, do filme Howard, o Super-Herói, aparece, talvez indicando uma futura participação do personagem na continuação de Guardiões da Galáxia. Sim, a frase em letras bem grandes "Os Guardiões da Galáxia voltarão", no final do filme, deixou bem claro que as aventuras de Peter, Groot, Rocket, Gamora e Drax não terminaram - o que foi confirmado pela produção do filme na Comic-con. Para quem ficou ansioso, o segundo longa já ganhou até data de estreia: 27 de julho de 2017.



terça-feira, 9 de setembro de 2014

Hércules


ALERTA DE SPOILER


Todas as crianças conhecem a história do Hércules, graças à animação feita pela Disney em 1997, que conta a história dos famosos 12 trabalhos. Dessa vez, não faremos comparação com os filmes mais antigos que também contaram a história do semi-deus, mas vou abrir um parêntesis para dizer que o estrelado por Kellan Lutz no início de 2014 foi horroroso.

Dirigido por Brett Ratner, o novo longa conta a história que sucede os 12 trabalhos. A maior falha do novo filme é a tentativa da desmistificação dos poderes do Hércules. Durante o filme, Hércules diz diversas vezes que as pessoas exageram em suas histórias, e que ele sempre teve ajuda de alguns companheiros, seu grupo de mercenários.

Os fãs da mitologia não vão gostar de algumas mudanças feitas no novo longa. O leão da Neméia não tem a pele impenetrável e - durante os créditos - é mostrado que o grupo de mercenários ajudou o herói durante seus 12 trabalhos, lançando flechas no leão ou dando uma mãozinha para que o semi-deus suba numa árvore antes de matar o javali de Erimanto. Além disso, a famosa Hidra de Lerna são homens que usam tal fantasia para assustar os inimigos. Ao mesmo tempo em que os monstros são mostrados falsos e que começamos a achar que Hércules é apenas um guerreiro normal, cenas como ele dando um soco tão forte que o cara é jogado a alguns metros ou ele se soltando de correntes - e quebrando as pilastras - são mostradas frequentemente, deixando a dúvida se ele é realmente um semi-deus ou não.



Independentemente de ser um semi-deus ou um humano, a escolha de Dwayne "The Rock" Johnson como Hércules foi boa. Após algum tempo de filme, dá pra se acostumar com a peruca, mas não deixa de ficar esquisito. Talvez uma das cenas mais memoráveis e que faria qualquer um soltar um "eita, porra" no meio do cinema, é uma das cenas finais, em que Hércules anda lentamente atrás de seu traidor, Euristeu, mostrando um porte físico digno do herói.






Mesmo com os clichês, Hércules é um filme que vale a pena ser assistido.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Planeta dos Macacos: O Confronto




ALERTA DE SPOILER

Após dez anos dos acontecimentos do primeiro filme do reboot da saga, Planeta dos Macacos: O Confronto mostra um César mais velho e rei - diferentemente do suposto rei César visto em A Batalha pelo Planeta dos Macacos, de 1973 -, enquanto grande parte da humanidade sofre com o vírus símio. Logo nas cenas de abertura, é mostrada a velocidade com que o vírus se espalhou, e o terror e desespero que ele causou no planeta.

O roteiro possui leves semelhanças com o quinto filme da saga original. Os humanos não foram completamente aniquilados, mas os que sobreviveram entraram em guerra com os macacos, que passaram a dominar. Enquanto os humanos lutam para sobreviver, César lidera os macacos, montando uma pequena cidade que lembra à do filme de 73, com a ajuda de Rocket (Terry Notary), o macaco que "recebeu" César no filme anterior, Maurice (Karin Konoval), o orangotango, e Koba (Toby Kebbell), o que era coberto de cicatrizes, que também foi visto em A Origem. 



Koba possui ódio pelos humanos, já que eles o maltrataram, vendo apenas o lado ruim deles. Enquanto César tenta evitar a guerra, o outro faz de tudo para ter sua vingança, fazendo até uma tentativa - que ao decorrer do filme se mostra falha - de matar seu rei, colocando todos os macacos contra os humanos. 

Novamente, a crítica volta, em um diálogo - feito por meio de sinais, já que os macacos ainda sentem dificuldade em falar - em que César diz que os humanos se mataram e se destruíram, e que com os macacos é diferente, pois lá eles são família. O lema visto nos filmes anteriores "macaco não mata macaco" é mostrado em uma cena em que Maurice ensina aos jovens chimpanzés, sendo reforçado por César e Koba. É reforçado tantas vezes, que no final do filme, é possível prever as últimas frases de Koba. Após uma luta violenta contra César, ele está para cair de uma grande altura e pede ajuda ao inimigo, dizendo o lema. César, então, diz que Koba não é um macaco, e logo após, o vilão da história morre.


Um dos nomes que mais chama atenção no elenco é o de Gary Oldman, mas no filme ele quase não é visto. O humano principal é Jason Clarke (vivendo o personagem Malcom), que tem uma boa atuação - não é nada que se destaque entre outros, mas também não falha hora alguma. O resto do elenco segue o mesmo esquema, e - talvez por não ter tido espaço suficiente no filme - Gary Oldman também deixa a desejar.



Andy Serkis - que exclui apresentações - está mais uma vez em uma atuação incrível. Não só conseguiu ser um excelente Gollum, King Kong e o próprio César ingênuo e que temia tudo, como agora ele é o rei. Por mais que sua presença e voz ponham ordem, Koba - que é uma espécie de Aldo do filme de 73 - obedece seu rei até um certo momento. 

Com bons efeitos especiais e a mesma crítica presente em todos os filmes da série (sendo cansativo em alguns dos filmes antigos) e também dando uma explicação mil vezes melhor para a destruição da raça humana - sendo no antigo dada pela morte dos cães e gatos, e os chimpanzés foram adotados como bichos de estimação, que depois se revoltaram - Planeta dos Macacos: O Confronto é o melhor da série - excluindo, é claro, o original de 68. 


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Transcendence - A Revolução






ALERTA DE SPOILER



A história do filme conta como o Dr. Will Caster (Johnny Depp) - um dos maiores especialistas sobre os estudos da inteligência artificial - passa a se "tornar" uma espécie de I.A. Após uma palestra sobre como sua nova descoberta científica poderia ajudar na cura do câncer e até mesmo curar por completo o mal de Alzheimer - e fazer uma leve crítica à religião - Will é baleado por um grupo anti-tecnologia ou até mesmo anti-cura para todas as doenças e acaba morrendo semanas depois (numa cena que pode ser facilmente comparada à de Batman Begins). Com a ajuda de sua esposa Evelyn (Rebecca Hall) e de seu amigo Max Waters (Paul Bettany), a mente do Dr. Caster é transportada para um computador, chamado PINN. A partir daí, a história se desenvolve com o "novo doutor Caster" se aperfeiçoando dentro do computador, podendo até atingir todos os aparelhos eletrônicos do planeta de uma só vez, e "ajudando" pessoas com suas imperfeições e salvando suas vidas. As aspas foram usadas devido à atitude de Will após tê-los ajudado. Ele entra na mente da pessoa e pode controlá-la a vontade.



Transcendence tinha tudo para ser um excelente filme de ficção científica, mas falha em alguns aspectos. As atuações variam de boas para medianas. Johnny Depp consegue se transformar mais uma vez em um personagem completamente diferente de outros que já havia interpretado. Não apenas sua aparência, como sua voz e seu estilo mudam - só lembrar do tímido Edward e do bêbado Capitão Jack Sparrow -, interpretando dessa vez um cientista com uma aparência cansada e uma voz que faz lembrar a de alguém que realmente passou o dia inteiro estudando. Além disso, sua voz - mais uma vez - enquanto ele está com sua mente dentro da I.A., nos faz lembrar aquela de HAL 9000 em 2001: Uma Odisséia no Espaço - quase como a de alguém sem expressões, literalmente uma máquina. Já Rebecca Hall, às vezes parece não ter muitas emoções para certas situações - a morte de seu marido - mas no restante do filme, ela acerta, como por exemplo quando ela reencontra seu marido pela tela do computador, ou quando se mostra angustiada com a perseguição de Will. 



O filme só teve duas coisas ruins: a fácil solução para todos os problemas e o tempo de duração. Falando do primeiro tópico, os problemas que eram mostrados no filme tinham uma solução na ponta da língua e extremamente fácil, ninguém discordava por mais de uma discussão. Por exemplo, para deter o doutor Caster de acabar com toda a vida orgânica do planeta, era simplesmente desligar a internet de todas as pessoas da terra. Claro, isso é completamente fácil e não haveria nenhuma catástrofe nisso - o que nos é mostrado no final não serve como catástrofe. Ou realmente teve algum tipo de desespero e não foi mostrado. Partindo para o segundo tópico, o filme teve quase duas horas de duração, mas poderia ter mais. Ele acabou se tornando algo corrido, dando a impressão de que o foco foi grande em algumas cenas, e mais para o final teve que fazer tudo de uma vez.

Por mais que o objetivo do filme fosse centralizar na vida que Evelyn passou a ter com os novos objetivos de Will, dá para sentir falta da participação de Morgan Freeman. A atuação não foi ruim, de forma alguma, mas em certos momentos, o telespectador se esquece do ator até o final do filme. 



Apesar dos poucos erros, Transcendence - A Revolução é uma boa obra de ficção científica. Mesmo que a história da inteligência artificial não seja das mais originais, ela foi abordada de uma forma original. Até o final do filme, não sabemos se o personagem vivido por Johnny Depp acaba se tornando "mau" ou não. 

Wally Pfister, o vencedor do Oscar de melhor fotografia em 2011 por Inception (A Origem) - também tendo trabalhado em quase todos os filmes do Christopher Nolan como diretor de fotografia - dessa vez trabalha como diretor em Transcendence. Além de Johnny Depp e Rebecca Hall, o filme que estreou nessa quinta feira (19) no cinemas, conta com Morgan Freeman e Cillian Murphy, que já trabalharam com Nolan em filmes anteriores.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Elefante (2003)


ALERTA DE SPOILER

Se passando em Walt High School, uma escola típica americana, na cidade de Portland, Oregon, o filme mostra um dia de aula comum, pelo ponto de vista de cada personagem. 
No filme, Alex (Alex Frost) e Eric (Eric Deulen) são alunos vítimas de bullying. Após comprarem armas pelo correio, influenciados pelo desejo de vingança, eles se unem para fazer um massacre dentro da escola.  

Análise

O filme chama atenção pela originalidade do fato de os personagens terem os mesmos nomes de seus atores. Por um lado, isso demonstra uma natureza diferente e impessoal; pelo outro, há uma visão realista, em que os atores procuram expressar sua natureza pessoal em todas as cenas. 

Com poucas falas e diálogos, o filme aborda um tema obscuro, intrigante e macabro, apresentando diversos clichês - com a escola dividida entre os grupos dos atletas, patricinhas e nerds. Pelo mesmo motivo das divisões entre os grupos, é mostrado como as pessoas podem reagir de formas extremas a exclusões sociais, como o bullying.

Apesar de Alex e Eric serem considerados protagonistas, eles são apenas um "resultado" de outros personagens. Outro elemento diferente do filme é o modo como a câmera é posicionada: com uma vista por trás dos personagens. O mesmo tipo de visão usada em video-games - em particular, uma cena do filme mostra os dois assassinos jogando um jogo de violência em primeira pessoa. 

Dentro do mesmo cenário, todos enfrentam sua própria realidade no ambiente escolar. O entendimento podem ter um grande impacto na vida de várias pessoas; e como situações mínimas podem resultar um 
acontecimento catastrófico. 


Obviamente, a conclusão do filme é obscura, assim como o próprio tema, instigando o espectador a pensar sobre esses valores relacionados à sociedade. Elefante não é um filme para entretenimento, mas sim para uma reflexão antropológica e sócio-cultural de quem o assiste.


Produzido por Omar Khodr.

sábado, 7 de junho de 2014

A Culpa é das Estrelas



ALERTA DE SPOILER

A Culpa é das Estrelas, adaptação cinematográfica do aclamado livro homônimo de John Green, teve estreia com salas lotadas... de pré-adolescentes. A (triste) história de um casal adolescente que sofre com o câncer emociona mais na leitura do que no cinema. Diferente do que o filme propõe, o livro de John Green não é direcionado essencialmente para o público adolescente. A obra trata com muito mais peso e seriedade temas como a doença e a morte do que o longa-metragem deixa transparecer. A começar pelo subtítulo do filme: “A Culpa é das Estrelas - Doentes de Amor”. Para quem achou que foi ideia dos brasileiros, se enganou, pois o título original é “The Fault in Our Stars – One Sick Love Story”. Na tentativa de amenizar a temática pesada do livro, o subtítulo causou polêmica tanto aqui quanto nos EUA, pelo seu humor negro.  


Outro fator para a infantilização da obra foi a escolha dos atores, Shailene Woodley e Ansel Elgort, que interpretam Hazel e Gus. Ambos têm estado presentes na mídia nos últimos meses, especialmente como ídolos teen. Shailene, apesar de ter feito memoráveis aparições em produções dramáticas anteriormente - como em Os Descendentes, em que contracena com George Clooney -, rendeu-se à trilogia infanto-juvenil Divergente (2014). De qualquer forma, a atriz não deixa a desejar em sua atuação como Hazel e é bem parecida com a descrição física que o livro traz.


Já Elgort, que despontou na refilmagem de Carrie – A Estranha (2013) e contracena com Woodley em Divergente, não cabe para o papel de Augustus Waters. Sua atuação melhorou desde o seu primeiro papel de destaque, no ano passado – Elgort tem o hábito de fazer “biquinho” em frente às câmeras. Em A Culpa é das Estrelas, podemos ver menos boca e mais presença do ator na tela. Ainda assim, a cena em que Gus chora em Amsterdã tem um “quê” de cômica. No entanto, isso não impediu que o ator causasse “gritinhos” da plateia. De resto, convenhamos que o Gus de John Green é bem mais estiloso do que o ator conseguiu transmitir. Os coadjuvantes não chamam muita atenção, exceto por Willem Dafoe, que rouba a cena como o escritor alcoólatra Peter Van Houten, fazendo o espectador ir da revolta à pena do personagem.


Os protagonistas de John Green são adolescentes que estão sempre por fora da moda, não curtem música pop e gostam de refletir sobre como alguns infinitos são maiores que outros. Hazel, em uma das cenas, usa uma camiseta da banda Pink Floyd. Em outra, sua roupa estampa uma obra de Magritte, e o All Star tem presença constante. Apesar de no livro haver referenciais que fogem à cultura pop, a trilha sonora da produção é essencial e quase inteiramente de músicas voltadas para os adolescentes.


Porém, apesar de certos aspectos, o filme apresenta pontos altos, se comparado à obra literária. São eles: o jeito como Gus sorri e coloca o cigarro entre os dentes; o primeiro beijo, na casa de Anne Frank; a “primeira vez”, que possui um caráter cômico e meigo, ao mesmo tempo; o surto de Isaac no quarto de Waters, assim como o momento em que ele joga ovos no carro de Monica; o clássico discurso sobre os infinitos, pronunciado por Hazel; e por último, mas não menos importante, a cena do restaurante em Amsterdã, na qual Gus declara estar apaixonado por Hazel.


O final do filme é menos misterioso que o do livro: na obra, não fica claro se Hazel vive, nem por quanto tempo. Já no longa, a narração da personagem dá a entender que se passaram alguns anos até ela contar sua história com Gus. A Culpa é das Estrelas é uma adaptação rica em detalhes do livro em que é baseada, mas peca na proposta inicial do autor John Green, que, inclusive, teve sua participação cortada do filme. Assim como a obra, a produção arranca lágrimas do espectador, mas não na dimensão de emoção que a leitura transmite. 




Texto produzido por Bruna Maury e Deborah Novais.

domingo, 1 de junho de 2014

No Limite do Amanhã





ALERTA DE SPOILER

Aquela história de alguma pessoa passar pelo mesmo dia centenas de vezes já não é novidade. No Limite do Amanhã consegue misturar isso com a guerra entre a humanidade e os alienígenas de um jeito bem divertido.
Tom Cruise vive um major que é secretário de imprensa para o exército norte-americano, e é considerado um desertor por rejeitar ordens de ir para a guerra.

O filme se passa em aproximadamente dois dias: quando Bill Cage (Tom Cruise) recebe a ordem e o dia seguinte, quando os soldados fazem um ataque fracassado na guerra, causando a derrota da humanidade.

Mais uma vez, vemos o protagonista inexperiente se tornar o "badass" e impressionar todos os companheiros. Nesse filme, pelo menos, sabemos que o personagem vive o mesmo dia centenas de vezes até chegar ao "nível máximo", mas isso não exclui o clichê.

Após algumas ressurreições, Cage encontra Rita Vrataski (Emily Blunt) uma mulher que passou pela mesma experiência que ele e que liderou um ataque vitorioso contra os alienígenas - chamados de miméticos - passando a ser uma espécie de treinadora. 

Todos os dias, Bill acorda no meio do quartel, leva a típica bronca do general, convence Rita do que está acontecendo e depois morre em batalha. 
Por um breve momento, essa repetição se torna cansativa, mas melhora um tempo depois, com cenas que humorizam a morte do protagonista (especialmente a que ele é esmagado pelas rodas do carro) e há situações em que não se sabe quando é a primeira vez em que está acontecendo ou se já é a milésima. 

O filme possui algumas falhas, como o final confuso e não condizente com a cronologia, e felizmente, as atuações estão longe de serem ruins. As cenas em que os miméticos atacam os soldados e a população chega a ser agoniante e até dão uns sustos. 

Com muitos efeitos especiais, destruições e explosões, o filme dirigido por Doug Liman é uma bela diversão e chega a surpreender quem estava com poucas expectativas.

sábado, 31 de maio de 2014

Malévola




ALERTA DE SPOILER

Malévola, estreado nesta quinta-feira no Brasil, consegue cumprir a proposta de atender ao público infanto-juvenil e adulto ao mesmo tempo. Os trailers dão a impressão errada de que o filme é sombrio e assustador – de fato, não havia nenhuma criança no cinema. Fiquem tranquilos, esse é um programa que pode ser feito em família sem o risco de choros.   

             
A produção propõe uma reconstrução da clássica história da Bela Adormecida, reproduzida em animação pela Disney em 1959, em que a princesa Aurora é amaldiçoada ao sono eterno por Malévola, e heroicamente resgatada pelo príncipe Philip. A Malévola de 2014 lembra a versão antiga apenas pelo visual, pois sua história é contada de forma a ela ser uma vítima, que em momentos de fúria, cometeu erros dos quais se arrepende. Na verdade, até a aparência da personagem clássica, que nunca tinha sido representada por uma atriz, foi modificada: ela ganhou protuberantes maçãs de rosto – inspiradas na Lady Gaga, segundo a produção do filme.

A escolha da atriz que vive uma das mais clássicas vilãs da Disney – ou heroína, como essa nova versão coloca – não poderia ser diferente. Angelina Jolie encarna como ninguém - do sorriso à postura - a personagem, principalmente nos momentos em que ela está mais tomada pelo ódio e desejo de vingança. Nesse filme, percebe-se um foco maior para a expressão de Jolie, e não para o seu corpo, o que é um avanço na carreira da atriz quanto ao reconhecimento de sua (bela) atuação.

Malévola – e esse é mesmo o nome dela, não um apelido adquirido pela fama de má – é uma fada que tem suas asas arrancadas pelo homem por quem era apaixonada, que se tornou rei. Tomada pelo desejo de vingança, ela lança uma maldição em Aurora, filha do rei. No entanto, ao conviver discretamente com a criança, Malévola se arrepende de suas ações e tenta reparar seus erros.

A princesa Aurora nada foge dos padrões em que já era representada: bonita, doce, agradável... e irritante. A personagem – interpretada por Elle Fanning, irmã da reconhecida Dakota Fanning - é tão excessivamente feliz e animada que, propositalmente ou não, provoca risadas na plateia. A beleza da atriz chama mais atenção do que sua atuação, o que é compreensível, pois os produtores não desejam tirar a atenção de Angelina Jolie.

Os efeitos especiais são de qualidade, e impressionam quanto às três fadas que são designadas para cuidar de Aurora: as fisionomias das atrizes não se perdem com a computadorização, e é bem fácil reconhecer pelo menos uma delas. No longa, as três fadas possuem nomes diferentes dos do desenho animado. As que eram antes Flora, Fauna e Primavera, agora são Flittle, Knotgrass e Thistlewit, o que tira um pouco da lembrança da animação que foi assistida por tantas crianças, hoje crescidas.

Príncipe Philip, infelizmente, não faz muita diferença na história. O ator, Brenton Thwaites, que possui visual similar ao de um Menudo, não deixa marcas em suas poucas aparições. Na verdade, nem mesmo é o seu personagem quem de fato salva Aurora de dormir para sempre.

Por fim, a trilha sonora é adequada e induz ao clima de aventura que se espera. Sente-se falta da clássica instrumental, no decorrer da produção, que foi regravada por Lana Del Rey. Teria despertado mais uma memória nos fãs da animação, além de dar mais emoção e seriedade para a produção. Infelizmente, a música toca apenas no final do filme.

Atingindo a um amplo público, Malévola diverte, mas principalmente desperta emoções e lembranças naqueles que gostam das primeiras animações de Walt Disney, não muito conhecidas pelas crianças de hoje.


quinta-feira, 22 de maio de 2014

X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido




ALERTA DE SPOILER


O filme segue a história dos quadrinhos, em que o futuro é dominado por Sentinelas e um mutante precisa transportar sua mente ao passado e salvar a vida da população. Nas HQs, o futuro candidato à presidência, Robert Kelly, pretende limitar a quantidade de mutantes existentes. Como uma prova de que os homo-sapiens deveriam respeitar os mutantes, a Irmandade (liderada por Mística) assassina Kelly. O resultado causado é exatamente o oposto, levando, futuramente, o presidente reativar os Sentinelas. Com o objetivo de aniquilar os mutantes de uma vez por todas, os Sentinelas tomam o país e vão atrás de todos, incluindo super-heróis, como Homem-Aranha, Demolidor e Capitão América. Nisso, a mente mais jovem é a de Kitty Pryde, que é mandada ao passado para tentar impedir a destruição.

Já no filme de Singer, a história é um pouco diferente, mas nada que vá desapontar os fãs das HQs. Robert Kelly foi o personagem usado no primeiro filme dos X-Men, o tal presidente que acaba se transformando em um mutante pelas mãos de Magneto, mas morre momentos depois. Aproximadamente dez anos após os acontecimentos de X-Men: Primeira Classe,  a trama da criação dos Sentinelas gira em torno de Bolivar Trask (Peter Dinklage), que faz experimentos com personagens vistos no filme citado acima. Azazel, Banshee, Emma Frost e outros são mortos em um de seus testes para a criação dos robôs, afim de criar uma arma perfeita para a destruição dos mutantes. Mística, vivida por Jennifer Lawrence, descobre dos planos e vai atrás de Trask e comete seu primeiro assassinato, fazendo com que o governo dê continuidade à criação dos Sentinelas. 
Kitty Pride, agora com poderes telepáticos, precisa mandar alguém ao passado, e a única pessoa capaz de sobreviver a uma volta em um passado tão distante seria Wolverine, que agora envelhece lentamente.



Para quem ficou em dúvida durante os trailers em que víamos um professor Xavier mais jovem ainda andando, e o Fera com sua aparência normal, não se preocupem pois há uma explicação: durante os acontecimentos do "Primeira Classe", Hank McCoy tenta desenvolver um antídoto para sua mutação. Esse antídoto é criado e usado nele mesmo e no professor, que faz com que ele volte a andar, mas que perca suas habilidades.

O filme prende a atenção desde o início, com um clima pesado e lutas fantásticas - destaque para os poderes da Blink as mortes de Colossus - até as cenas pós-crédito (pós-crédito mesmo, não durante), o único problema é que alguns personagens apareceram só por aparecer, não influenciando nada na história e você acaba esquecendo deles depois da metade do filme. Groxo e Destrutor são exemplos. Mercúrio teve uma pequena aparição, mas o suficiente para estar em uma das cenas mais hilárias do filme.
Quem esperava entender como o professor Xavier conseguiu seu corpo de volta após os acontecimentos de X-Men: O Confronto Final (2006), pode continuar na dúvida, porque não há explicação. 
Com o retorno do diretor dos dois primeiros filmes da franquia dos X-Men, Bryan Singer, Dias de Um Futuro Esquecido é um dos melhores da saga até agora, com uma luta forte contra "Primeira Classe". Não tem como deixar de ver que isso tudo foi apenas uma bela maneira de fazer um reboot da saga sem necessariamente começar tudo do zero. Quando o assassinato de Bolivar Trask é impedido, a mente de Wolverine volta para o futuro, e lá vemos a escola dos mutantes funcionando perfeitamente. Com uma cena que cria bastante expectativa, vemos Jean, Scott e o professor Xavier de volta e dando aulas.




X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido estreou nessa quinta-feira (22) nos cinemas e traz Hugh Jackman, vivendo Wolverine pela sétima vez, Patrick Stewart e James McAvoy como o professor Xavier mais velho e mais novo (respectivamente), Michael Fassbender como a versão mais nova de Magneto e Ian McKellen como ele mais velho, Jennifer Lawrence como Mística, Halle Berry (Tempestade), Evan Peters como Mercúrio e Ellen Page vivendo Kitty Pryde. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Godzilla (2014)




ALERTA DE SPOILER

Com até uma estrela na calçada da fama, Godzilla estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (15), comemorando seus 60 anos. Apesar de ser um filme repleto de destruições, vemos um espaço para dramas humanos. O elenco conta com Bryan Cranston, do seriado Breaking Bad, Aaron Taylor-Johnson, de Kick-Ass, e Elizabeth Olsen, a irmã mais nova das famosas gêmeas Olsen. 

Godzilla já foi visto de diversas maneiras em várias de suas adaptações. Já foi o monstro que destrói a cidade sendo visto como o vilão, e também foi o monstro que destrói a cidade mas defende a população. No filme de 2014, o Rei dos Monstros é visto como um herói. Junto a Godzilla, outros dois monstros são despertados, os chamados MUTOs (uma sigla para Massive Unidentified Terrestrial Organism). Mesmo tendo um filme que estrela seu nome, não vemos tanto o réptil quanto gostaríamos. O foco do filme é voltado para os dramas humanos. 

O objetivo do Godzilla nesse filme é simplesmente caçar os dois MUTOs restantes que querem procriar. Após as espetaculares mortes de cada um dos "vilões", com destaque para a cena em que a fêmea tem sua cabeça decepada pelo raio azul do Godzilla - mais uma habilidade que foi mantida do clássico de 54 -, nosso "herói" desmaia. Quando ele acorda, é aplaudido pelas pessoas e depois volta tranquilamente para o mar.

O Godzilla de 2014 conta com aura mais sombria que a versão estrelada por Mathew Broderick em 1998. O cenário escurecido, a visão da cidade dizimada, a nuvem de poeira que ora escondia ora revelava os monstros - todos esses aspectos trazem peso e seriedade para a produção, sem o menor resquício do humor do filme anterior. 
Criticamente, o filme chama atenção pelos efeitos especiais, mais do que pela história em si. Como toda produção da indústria americana, conta com clichés e diálogos previsíveis, além de reforçar a antiga moral do exército americano. Sem dúvida, está entre as melhores (super) produções que são esperadas até o fim do ano. 


Confira o trailer abaixo:




Produzido por Viktor Hugo Meirelles e Bruna Maury